Trabalho é fruto de pesquisa desenvolvida pela Profa. Dra. Janaina Andréa Cucato e alunos de Arquitetura que percorreram 450 km para documentar o processo de urbanização e a história das estações
A comunidade acadêmica e o público em geral têm a oportunidade de conferir, até o dia 24 de abril, a exposição “Espaços Dormentes – um olhar sobre o processo de ressignificação da Estrada de Ferro Araraquara”. Instalada no espaço de convivência da Biblioteca do Câmpus Centro Unifev, a mostra apresenta o resultado de uma extensa pesquisa idealizada pela Profa. Dra. Janaina Andréa Cucato e executada em conjunto com estudantes de Arquitetura e Urbanismo da Instituição, que investigaram o trecho ferroviário entre São Carlos e Santa Fé do Sul.
O levantamento envolveu uma expedição de aproximadamente 450 km, percorrida por estradas de terra, acompanhando o traçado original da linha férrea para registrar o estado atual das estações e o impacto do trem no desenvolvimento nessas cidades paulistas.
A pesquisa contou com o apoio da Fundação Pró-Memória de São Carlos (FPMSC), responsável pela organização e financiamento da exposição, além do suporte institucional da Unifev, por meio do Núcleo de Cultura e Artes (NCA).
“A mostra traz uma memória que, muitas vezes, passa despercebida no cotidiano, que é o desenvolvimento do interior paulista em torno da ferrovia. Quando a pesquisa sai do ambiente acadêmico e chega ao público, ela se torna mais próxima e mais concreta. É nesse movimento que a cultura ganha sentido”, pontuou a coordenadora do NCA, Profa. Ma. Silvia Brandão Cuenca Stipp.
O projeto foi desenvolvido em cerca de cinco anos de dedicação, iniciada no final de 2017. Durante esse período, a equipe enfrentou o desafio de conciliar as atividades acadêmicas com as expedições de campo, o que exigiu um esforço logístico, explicou Janaína. “Especialmente durante a pandemia, os grupos se reuniam virtualmente aos domingos à noite para mapear as estações via imagens de satélite. Muitas estruturas, no entanto, só foram localizadas presencialmente, em jornadas que começavam ao amanhecer e seguiam até a noite para otimizar os custos da viagem. Em diversos pontos, o uso de drones foi necessário para captar imagens aéreas de locais onde a vegetação ou o tempo já haviam isolado as antigas subestações”.
O projeto foi dividido em duas fases de pesquisa e documentação. Na primeira etapa, participaram os então alunos, hoje egressos, Bruna Patrícia Cicareli, Gabriela Innocêncio Martins, Luiz Augusto Miraveti Simões, Pedro Henrique Fioroti de Sá e Wellington Antônio da Silva Fileto. Já na segunda, tiveram a atuação de Gabriela Teodoro Coelho, Leonardo Henrique Pavão, Raiane Camila da Silva e Samuel Araújo Fanelli.
Para a Profa. Dra. Janaina, o contato com a história local trouxe uma dimensão humana que superou a análise técnica da urbanização. “Nosso foco era entender quem nasceu primeiro, a linha de ferro ou o núcleo urbano. Foram quase cinco anos de um trabalho feito com calma e cuidado. Ao longo do caminho, percebemos que estávamos lidando com algo sensível; fomos recebidos por moradores que se emocionavam ao recordar histórias de suas famílias ligadas à ferrovia. Encontramos desde estações em ruínas até trechos onde a linha corre paralela à rodovia, revelando como esse traçado ainda molda a paisagem. Ver essa pesquisa sair do ambiente acadêmico e chegar ao público é dar voz a essa memória que estava adormecida”, destacou Janaina.
Nos dias 22, 23 e 24 de abril, a exposição ficará sediada na Biblioteca da Cidade Universitária Unifev.
Confira algumas imagens da exposição no Flickr.
Visitação
A exposição é gratuita e está aberta para visitaçãode segunda a sexta-feira, das 7h30 às 21h50.
Itinerância
Após o período na Unifev, a exposição seguirá para Fernandópolis e São José do Rio Preto, onde será apresentada em formato digital durante uma conferência regional do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU).
SERVIÇO:
Exposição “Espaços Dormentes” (gratuita)
Até 17/04, na Biblioteca Câmpus Centro (Rua Pernambuco nº 4196)
De 22 a 24/04, na Biblioteca Cidade Universitária (Av. Nasser Marão nº 3069)
Horário: 7h30 às 21h50
Público: aberto à comunidade acadêmica e visitantes externos.
Assessoria de Comunicação