Coordenação de Pesquisa da Unifev destaca a trajetória da docente de Agronomia, Profa. Dra. Laís Monteiro, e reforça o objetivo da ciência no campo no ensino superior
Com pós-doutorado em Fitotecnia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Dracena e sete anos de atuação docente na Unifev, a Profa. Dra. Laís Naiara Honorato Monteiro soma em seu currículo mais de uma década de dedicação à investigação agronômica. Autora de mais de 30 artigos publicados em periódicos especializados, ela concentra seus estudos na área de Produção Vegetal, com ênfase no manejo de hortaliças, fruticultura e propagação de plantas.
Nesta entrevista, a pesquisadora analisa as particularidades de conduzir experimentos agrícolas no campo e pontua como os resultados obtidos em laboratório e nas áreas experimentais elevam a qualidade do ensino técnico.
A consolidação desses projetos no ambiente acadêmico conta com o suporte da Coordenação de Pesquisa da Unifev. A estrutura é voltada para mapear o trabalho dos docentes e compartilha experiências práticas para aproximar os alunos do universo científico.
Confira a entrevista:
Pergunta: Área de atuação na Unifev?
Resposta: Atuo no curso de Agronomia, principalmente na área de Produção Vegetal. Minha formação e minhas pesquisas estão mais ligadas à horticultura e à fruticultura, envolvendo propagação de plantas, produção de mudas, manejo e pós-colheita.
Pergunta: Há quanto tempo você se dedica à docência na área de pesquisa?
Resposta: Atuo como docente desde 2019 na Unifev, já são cerca de sete anos. Mas meu contato com a pesquisa começou bem antes, ainda durante a graduação em Agronomia, com a iniciação científica, então, já são mais de dez anos envolvidos com pesquisa.
Pergunta: Quantas pesquisas/ artigos já produziu?
Resposta: Hoje meu currículo reúne mais de 30 artigos científicos publicados em periódicos, além de capítulos de livros, trabalhos apresentados em congressos, publicações técnicas e outras atividades desenvolvidas com alunos. Mas eu gosto de olhar não só para o número de publicações, e sim para o quanto cada trabalho contribuiu para minha formação e para a formação dos alunos que participaram deles.
Pergunta: Professora, o que despertou seu interesse pela ciência? E qual linha de pesquisa desenvolve atualmente?
Resposta: Meu interesse começou ainda na graduação, quando tive contato com a iniciação científica. Foi ali que percebi que uma dúvida que surge no campo ou durante uma aula pode se transformar em uma pergunta de pesquisa e, depois, gerar uma resposta que realmente tenha aplicação. Acho que essa curiosidade de entender o porquê das coisas foi o que me manteve nesse caminho.
Minha atuação está inserida principalmente na área de Produção Vegetal, envolvendo diferentes culturas de interesse agronômico, especialmente voltada à horticultura. Tenho interesse em estudos relacionados ao manejo das culturas, propagação de plantas, desenvolvimento e produtividade, qualidade da produção e uso de técnicas que possam contribuir para sistemas agrícolas mais eficientes e sustentáveis.
Pergunta: Qual a importância da iniciação científica na graduação? E qual dica para o aluno que quer começar a pesquisar?
Resposta: Considero a iniciação científica fundamental. Ter esse contato ainda na graduação transforma a visão do aluno, ensinando a questionar, buscar fontes, interpretar dados e comunicar resultados, bagagem que ele levará para toda a vida profissional, independentemente de seguir carreira acadêmica.
Para quem quer começar, a dica é procurar um professor da área com a qual tenha afinidade e conversar. Não é preciso chegar com um projeto pronto; a pesquisa costuma nascer de uma dúvida simples do dia a dia ou da integração a um projeto que já está em andamento. A partir daí, o caminho é ler, observar, perguntar e aproveitar as oportunidades.
Pergunta: Já participou de editais ou projetos financiados? Quais?
Resposta: Sim. Durante a minha formação e a minha atuação em pesquisa, participei de projetos que tiveram apoio de instituições como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de projeto em cooperação com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Também fui bolsista durante diferentes etapas da minha formação. Esses apoios são muito importantes porque permitem manter os experimentos e, principalmente, inserir alunos na pesquisa.
Pergunta: Quais os maiores desafios no dia a dia do pesquisador? E os principais aprendizados?
Resposta: Na agricultura, o desafio é trabalhar com organismos vivos no campo. Planejamos um estudo por meses e o clima ou a própria planta podem mudar tudo, além de precisarmos conciliar ensino, orientação e pesquisa. Com o tempo, aprendemos a lidar com esses imprevistos.
O maior aprendizado é entender que encontrar um resultado diferente do esperado também é ciência. Pesquisa exige paciência, persistência e trabalho em equipe; compartilhar o conhecimento e atuar em parceria torna o processo muito mais rico.
Pergunta: Um projeto de pesquisa do qual você tem orgulho de ter feito parte?
Resposta: Tenho muito orgulho dos trabalhos que envolvem nossos alunos e que conseguem ultrapassar os limites da sala de aula. Um exemplo recente foi um estudo que tive a oportunidade de coorientar sobre pós-colheita de cultivares de banana submetidas a doses e fontes de adubação. O trabalho foi desenvolvido por egressos da Agronomia Unifev e recebeu o prêmio de melhor trabalho do Simpósio de Banana no Congresso Brasileiro de Fruticultura de 2025. Ver um trabalho desenvolvido com alunos alcançar esse reconhecimento é muito gratificante.
Pergunta: O que não pode faltar no perfil de um bom pesquisador?
Resposta: Curiosidade, ética, disciplina e persistência. Eu acrescentaria também humildade para reconhecer que não sabemos tudo e disposição para trabalhar em equipe. Ciência é construída coletivamente.
Pergunta: Como a pesquisa impacta a qualidade do ensino na sala de aula?
Resposta: Impacta diretamente. Quando o professor pesquisa, ele não fica restrito apenas ao conteúdo dos livros. Ele consegue levar para a aula situações reais, resultados de experimentos, discussões atuais e até problemas que ainda não têm uma resposta definitiva. Isso aproxima muito o aluno da realidade profissional e também estimula o pensamento crítico.
Pergunta: Quais áreas ou temas você gostaria de explorar em pesquisas futuras?
Resposta: Gostaria de ampliar cada vez mais as pesquisas dentro da horticultura, trabalhando com diferentes culturas e buscando temas que tenham aplicação prática para o produtor. Tenho interesse especialmente em manejo, tecnologias de produção, bioinsumos, respostas das plantas às condições ambientais e alternativas que possam aumentar a eficiência e a sustentabilidade dos sistemas produtivos. Acho importante manter esse campo aberto, porque a agronomia é muito dinâmica e constantemente surgem novas demandas e possibilidades de pesquisa.
Pergunta: Um(a) cientista ou pesquisador(a) que a inspire?
Resposta: A Profa. Dra. Maria Gabriela Fontanetti Rodrigues é uma das pesquisadoras que fazem parte da minha trajetória e que me inspiram. É docente na Unesp Câmpus Dracena e uma referência na área de fruticultura. Além do conhecimento científico, considero muito importante a capacidade que um pesquisador tem de formar outras pessoas.
Pergunta: Complete a frase: “Fazer pesquisa é...”
Resposta: Fazer pesquisa é ter curiosidade para perguntar, paciência para testar e disposição para aprender com os resultados, inclusive quando eles são diferentes do que se esperava.