Prof. Dr. Roberto Malta analisa o impacto dos estudos em saúde pública e a importância da iniciação científica na graduação
O coordenador dos cursos de Farmácia e Biomedicina Unifev, Prof. Dr. Roberto Carlos Grassi Malta, possui mais de 30 anos de dedicação ao ensino e à pesquisa científica, incluindo experiências de campo, como os estudos em saúde realizados junto aos povos originários do Xingu. Mestre e doutor em Parasitologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o pesquisador registra mais de 60 trabalhos e estudos realizados no decorrer da sua carreira.
Na conversa a seguir, o professor aborda os desafios de conciliar a gestão dos cursos com a produção científica e destaca as ações desenvolvidas pela Coordenação de Pesquisa Unifev para aproximar os alunos da prática científica.
O conteúdo integra as iniciativas de divulgação científica da Instituição e busca dar visibilidade à produção da comunidade acadêmica.
Confira a entrevista completa com o professor:
Pergunta: Qual a sua área de atuação na Unifev?
Resposta: Atuo principalmente nas áreas de Farmácia e Biomedicina, com destaque para Parasitologia, Imunologia e Análises Clínicas, e áreas relacionadas às Ciências da Saúde. Na Unifev, leciono também nos cursos de Medicina, Enfermagem, Fisioterapia e Nutrição, além de atuar na gestão acadêmica como coordenador das graduações em Farmácia e Biomedicina.
Pergunta: Há quanto tempo você se dedica à docência na área de pesquisa?
Resposta: Minha carreira acadêmica começou em 1993. Portanto, são mais de três décadas dedicadas à docência, à pesquisa e à formação de profissionais da área da saúde. Nesse período, minha atuação foi marcada pela integração entre ensino, pesquisa e prática profissional.
Pergunta: Quantas pesquisas/artigos já produziu?
Resposta: Entre pesquisas, trabalhos de iniciação científica e outras produções acadêmicas, já participei de mais de 60 trabalhos. São experiências que envolvem artigos científicos, apresentações em eventos, orientações, projetos de pesquisa e diferentes formas de produção do conhecimento.
Mais que o número, considero importante destacar que essas experiências representam a oportunidade de contribuir para a formação de novos profissionais, estimular nos alunos o interesse pela ciência e aproximar a pesquisa das necessidades da área da saúde. Para mim, cada trabalho representa uma oportunidade de aprender, ensinar e compartilhar saberes.
Pergunta: O que despertou seu interesse pela pesquisa científica? Qual linha de pesquisa você desenvolve atualmente?
Resposta: A curiosidade. Sempre tive necessidade de entender o “porquê” das coisas. A pesquisa permite transformar uma dúvida em uma pergunta, uma pergunta em uma investigação e, finalmente, em conhecimento. Na área da saúde, isso ganha uma dimensão ainda maior, porque aquilo que descobrimos pode contribuir para melhorar a formação profissional e, em muitos casos, a própria assistência à população.
Minha trajetória está fortemente relacionada à Parasitologia e às Análises Clínicas, áreas nas quais desenvolvi minha formação de pós-graduação.
Atualmente, também procuro desenvolver pesquisas que aproximem a investigação científica da formação em saúde, abrangendo temas como diagnóstico, educação em saúde, prevenção de doenças e questões relacionadas à prática profissional.
Pergunta: Qual a importância da iniciação científica na graduação? E qual dica para o aluno que quer começar a pesquisar?
Resposta: A pesquisa é fundamental porque ensina o aluno a pensar cientificamente. Ela desenvolve curiosidade, senso crítico, capacidade de buscar informações, analisar resultados e questionar aquilo que parece pronto. Mesmo que o estudante não siga uma carreira acadêmica, essas competências serão importantes durante toda sua vida profissional.
Comece por uma pergunta. Não é preciso ter, inicialmente, um grande projeto ou uma ideia revolucionária. Procure um professor com que tenha afinidade, converse sobre os temas que despertam interesse e leia bastante. A partir da leitura surgem dúvidas, e das dúvidas surgem boas perguntas de pesquisa.
Pergunta: Já participou de editais ou projetos financiados? Quais?
Resposta: Ao longo da carreira participei de projetos e iniciativas acadêmicas e científicas vinculadas à formação e à produção de conhecimento.
Pergunta: Professor, quais foram os maiores desafios na sua trajetória como pesquisador? E os principais aprendizados?
Resposta: Conciliar pesquisa, docência e gestão acadêmica sempre foi um desafio. A pesquisa exige tempo, dedicação, atualização constante e, muitas vezes, recursos. Outro desafio é manter a produção científica em um cenário em que o professor também precisa estar presente na sala de aula, orientar alunos e participar da vida institucional. Mas acredito que são justamente essas dificuldades que nos fazem buscar novas soluções.
Aprendi que a pesquisa requer principalmente persistência. Nem toda hipótese se confirma, nem todo projeto acontece como imaginamos e nem todo resultado é aquele que gostaríamos de encontrar. O pesquisador precisa aprender com o resultado, inclusive quando ele contraria sua expectativa. Também aprendi que a pesquisa se torna mais significativa quando conseguimos envolver os alunos nesse processo.
Pergunta: Um projeto de pesquisa que você tem orgulho de ter feito parte?
Resposta: Um dos trabalhos que mais marcou minha trajetória foi a participação em um estudo realizado com povos originários do Xingu. Foi uma experiência muito significativa pela relevância científica da pesquisa, mas principalmente pela oportunidade de conhecer uma realidade sociocultural e de saúde bem diferente daquela com a qual estamos acostumados.
Estar em contato com essas comunidades mostrou, na prática, que fazer pesquisa em saúde exige mais do que conhecimento técnico. É necessário respeito, sensibilidade, responsabilidade e compreensão das características e necessidades de cada população. Essa vivência contribuiu para minha formação como pesquisador e professor, porque reforçou em mim a ideia de que a ciência precisa estar conectada com a realidade das pessoas.
Pergunta: O que não pode faltar no perfil de um bom pesquisador?
Resposta: É preciso ter curiosidade para perguntar, ética para conduzir a pesquisa corretamente, persistência para enfrentar as dificuldades e humildade para reconhecer que podemos estar errados e que sempre temos algo a aprender.
Pergunta: Como a pesquisa impacta a qualidade do ensino na sala de aula?
Resposta: Um professor que pesquisa não leva para a sala de aula apenas aquilo que está nos livros, mas também dúvidas, descobertas, discussões e experiências. A pesquisa mantém o professor atualizado e permite que o aluno perceba que o conhecimento é algo que está em constante construção.
Pergunta: Quais áreas ou temas você gostaria de explorar em pesquisas futuras?
Resposta: Tenho interesse em continuar trabalhando com temas relacionados às ciências da saúde, especialmente aqueles que permitam aproximar a pesquisa da formação dos estudantes e das necessidades da sociedade. Também considero muito importantes pesquisas que integrem Parasitologia, diagnóstico laboratorial, educação em saúde e prevenção.
Pergunta: Um(a) cientista ou pesquisador(a) que o inspire?
Resposta: Tenho grande admiração por pesquisadores que, além de produzirem conhecimento, conseguiram transformar esse conhecimento em formação de pessoas e em benefícios para a comunidade. São essas trajetórias de dedicação à ciência e à educação que me inspiram mais do que um único nome.
Pergunta: Complete a frase: “Fazer pesquisa é...”
Resposta: É nunca se acomodar diante do conhecimento que já existe e ter coragem para transformar uma dúvida em uma nova possibilidade de descobrir, aprender e contribuir.